sexta-feira, 19 de setembro de 2025

ENSINAR O ALFABETO OU AS LETRAS DO ALFABETO? QUAL A DIFERENÇA?


Por Mirinaldo

Em tese, os dois devem ser ensinados. Mas didaticamente, não. Ensinar o alfabeto é ensinar ao aluno uma sequenciação de 26 letras em que ele passa a conhecer qual vem antes e qual vem depois, qual é a primeira e qual é a última e pode até chegar a saber quais delas são vogais e quais são consoantes (embora muitos alfabetizadores não consigam fazer essa diferença). O aluno também aprende com o alfabeto que se pode ordenar uma lista por exemplo. 
Mas, e o que é ensinar as letras?
Para alfabetizar, o aluno precisa dominar as letras do português. É aí que entra o papel do conhecimento delas, das suas diferenças, das semelhanças, da sua diferenciação com relação à fala, dos fonemas de cada uma etc. Há escolas que podem preferir começar a alfabetização pelas vogais, pois as vogais são fonemas livres, e depois começam a introduzir as consoantes (fonemas com obstrução na sua realização fonética). Ensinar as letras não é só ensinar os nomes delas, mas o seu uso e efeito a partir da fala e de como ela é registrada na escrita. Ensinar as letras é agrupá-las por grau de dificuldade – conforme Emília Ferreiro (primeiro as de fonemas mais simples, como m, s, p, t, n, b, f, c, r, até chegar às que podem apresentar mais dificuldades, como j, x, ch, lh, nh). Viu que eu falei FONEMAS? Pois é, porque se fosse só o nome das letras, bastaria uma semana de aula. Mas conhecer os fonemas das letras é o principal critério para que elas sejam agrupadas e ensinadas, por isso não é aula de alfabeto. 
E o alfabeto?
O alfabeto pode ficar lá na parede e ir sendo memorizado todos os dias. Mas as letras precisam de muitas aulas para serem apreendidas. Meses.

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