quarta-feira, 15 de outubro de 2025

É, meu amigo, hoje é 15 de outubro



Por Mirinaldo

Não. Não quero saber dessas mensagens prontas que a galera reposta da internet e joga no grupo dos professores ou manda no privado de alguém em homenagem ao dia de hoje. Balela. Pura falta de emoção. Parece aquele “Eu te amo” forçado. Aquele abraço que não se quer dar. Aquele sorriso amarelo, aqueles parabéns com palmas baixas. Balela. Chega de frases de efeito. Aquelas do tipo “O professor forma todas as profissões”, “O professor deveria ser valorizado”, “O professor deveria receber o maior salário deste país” – essa é de matar de rir. A pior de todas é a que vem do próprio professor: “Nós, educadores!”. Essa é de dar cãibra na língua (eu não sou educador e não conheço nenhum educador ao meu redor). Isso é apelação. Também não quero saber daquele bolo feito às pressas, esquecido na padaria e que foi recheado com uma vela torta e uma calda de chocolate mal derretida. E, para completar, na hora de cantar parabéns, uns começam e outros vão atrás atrasados e ninguém sabe se, ao final, deve-se cantar “muitos anos de vida” ou “muitas bênçãos de Deus”. Balela. 
Não curto essa de políticos mandando “feliz dias dos professores” em um ato de total ignorância, pois nem escrito corretamente isso está. Não mandam seus assessores sequer fazerem uma revisão no GPT antes de jogar essas frases no ar. A internet que se vire, eu já fiz o meu papel de homenagear essa classe, espero manter meus votos na próxima. Professor e um botijão de gás! Quem diria?
É quase tudo tão forçado. É quase tudo tão deprimente. 
Concorda comigo? A grande razão de o professor ser quem é são seus alunos – os primeiros a abandoná-lo nesse dia. Depois que descobriram que feriamos em 15 de outubro, não querem outra coisa a não ser irem para casa. Amam tanto os seus mestres que querem qualquer dia longe deles. E segue a banda: Os pais, as notas; os políticos, os números; a sociedade; distância; os alunos, nada.
O professor é um ser pesado. De chumbo. Figura desacreditada. No cerne no nazifascismo aflorado no Brasil desde 2019, o professor teve sua imagem afundada mais ainda na sociedade. Elegeu-se a imbecilidade como favorita e o professor não serviu mais mesmo. Quem precisa dele se se pode sobreviver de ilusões de ser rico? Aquele ser que ditava os sonhos e dava a base para a vida se tornou uma forma em decomposição, ou como alguém disse uma vez que “Deveria nascer de novo”. Quem está certo é o aluno. Quem manda são os pais. Quem quer dados é o governo. E quem se alinha é o...  professor. O professor está do outro lado do balcão, pois caiu nas malhas da educação bancária, o que tanto Paulo Freire temia. 
O professor não sabe. Ele não decide. Ele não opina – se o fizer, não serve. O professor é um fio condutor do governo. Este é que aprova aquele aluno que não deveria ser aprovado. É o governo que elabora as aulas e estabelece como deve ser trabalhado cada horário. Mas isso, nunca pensando no futuro do aluno, mas no resultado imediato dos números. A própria sociedade espera os números, mesmo sem saber bulhufas do que eles significam. Aliás, a propaganda sobre educação e professor é a pior que existe. Mostra-se escola sendo construída ou algum professor sorrindo. Nem uma coisa nem outra é verdade. A educação não se mostra na TV e professor, para ser feliz, não precisa sorrir, basta ser valorizado.
E, enfim, muita coisa para se dizer. Mas o professor não tem tempo. Seguirá sua jornada na lista dos animais em risco de extinção. Sim, é ele que pode dar os rumos ao país, ao seu estado, à sua cidade. Mas essa vez não chegou, pois ele precisa de estudantes para aspergir os conhecimentos, mas até o momento, só recebeu alunos. Ele precisa de pais, mas só recebeu “pais e responsáveis”. Ele precisa de políticos, mas só recebeu candidatos. Ele precisa da sociedade, mas só recebeu indivíduos. Ele precisa do mundo, mas só lhe deram um quadro.
Então, o professor tem um outro professor. Talvez aí resida a sua grande existência por ora encontrada ante a sua sobrevivência nesse oceano de desilusões.
A outro professor, então, digo: É, meu amigo, hoje é 15 de outubro.

sexta-feira, 19 de setembro de 2025

QUAL LETRA USAR NO COMEÇO DA ALFABETIZAÇÃO?



Por Mirinaldo

Se você for pesquisar sobre letras bastões na internet, você verá que elas aparecerão assim: A, B, C, D... Se você for pesquisar sobre as maiúsculas de imprensa, você vai descobrir isto: A, B, C, D... Mas qual a diferença? NENHUMA! A diferença é que as letras de imprensa têm as formas minúsculas (a, b, c, d...) e as bastões, não. Nesse caso, tanto as maiúsculas de imprensa quanto as bastões são chamadas de LETRAS DE FORMA, pois são aquelas em que cada letra é escrita de forma isolada e separada das outras, sem ligação entre elas (na forma maiúscula). Agora, veja a diferença: (a) ESCOLA, (b) Escola. A palavra (a) foi escrita em imprensa maiúscula ou em bastão? Resposta: Em bastão ou imprensa maiúscula, ou caixa alta. Mas por que o nome bastão? O nome "letra bastão" (termo mais popular) vem da sua característica de ser formada por traços retos e uniformes, como um bastão, sem ligação entre as letras e sem curvas. É também conhecida como "letra de forma" ou "caixa alta" (por conta da máquina de imprensa lá dos tempos de Gutemberg). Daí, apenas quando a de imprensa é maiúscula, também recebe o nome de bastão.
QUAL UTILIZAR NO INÍCIO DA ALFAEBTIZAÇÃO?
A bastão. Por quê? 
1. Simples e clara: As letras maiúsculas são mais uniformes em sua forma, com menos curvas e variações, o que facilita a memorização. As crianças podem aprender a reconhecer as letras de maneira mais rápida.
2. Facilidade de leitura: As letras maiúsculas são mais diretas, com traços mais retos e sem a necessidade de curvas complexas, como nas minúsculas. Isso torna a leitura inicial mais fácil.
3. Desenvolvimento motor: Escrever em bastão exige movimentos mais simples, o que facilita o desenvolvimento motor das crianças, especialmente quando estão começando a aprender a escrever.
4. Concentração no som das letras: Quando a criança começa a escrever e a ler, a ideia é que ela se concentre mais no som das letras do que na forma complexa delas. A letra bastão permite esse foco.
Mas lembrando: A criança aprendeu a escrever e precisa seguir nas práticas de fluência, passa-se para as cursivas. As de imprensa lhe são ensinadas para as habilidades de leitura, não de escrita.
Então, enquanto se alfabetiza, o bastão basta!

ENSINAR O ALFABETO OU AS LETRAS DO ALFABETO? QUAL A DIFERENÇA?


Por Mirinaldo

Em tese, os dois devem ser ensinados. Mas didaticamente, não. Ensinar o alfabeto é ensinar ao aluno uma sequenciação de 26 letras em que ele passa a conhecer qual vem antes e qual vem depois, qual é a primeira e qual é a última e pode até chegar a saber quais delas são vogais e quais são consoantes (embora muitos alfabetizadores não consigam fazer essa diferença). O aluno também aprende com o alfabeto que se pode ordenar uma lista por exemplo. 
Mas, e o que é ensinar as letras?
Para alfabetizar, o aluno precisa dominar as letras do português. É aí que entra o papel do conhecimento delas, das suas diferenças, das semelhanças, da sua diferenciação com relação à fala, dos fonemas de cada uma etc. Há escolas que podem preferir começar a alfabetização pelas vogais, pois as vogais são fonemas livres, e depois começam a introduzir as consoantes (fonemas com obstrução na sua realização fonética). Ensinar as letras não é só ensinar os nomes delas, mas o seu uso e efeito a partir da fala e de como ela é registrada na escrita. Ensinar as letras é agrupá-las por grau de dificuldade – conforme Emília Ferreiro (primeiro as de fonemas mais simples, como m, s, p, t, n, b, f, c, r, até chegar às que podem apresentar mais dificuldades, como j, x, ch, lh, nh). Viu que eu falei FONEMAS? Pois é, porque se fosse só o nome das letras, bastaria uma semana de aula. Mas conhecer os fonemas das letras é o principal critério para que elas sejam agrupadas e ensinadas, por isso não é aula de alfabeto. 
E o alfabeto?
O alfabeto pode ficar lá na parede e ir sendo memorizado todos os dias. Mas as letras precisam de muitas aulas para serem apreendidas. Meses.

domingo, 13 de abril de 2025

Ramos hodiernos

 

Por Mirinaldo 

E abrem-se os portões de Netanyahu. 
E entra o homem do mundo sob miras bélicas, 
Sob olhares ávidos, 
Sob aclamações de abastados, 
Sob bíblias que se abrem e se fecham,
Sob os botões atômicos das potências, 
Sob o choro ignóbil dos nazifascistas religiosos, 
Sob as lágrimas dos extremistas, 
Sob o olhar dos príncipes que almejam um grande jantar 
Junto ao rei. 
E adentra os muros da morte. 
E o filho-rei já sente 
Em seu coração 
O palpitar anunciante 
Dos banquetes dos traidores. 
Dos que reviram 
As páginas sagradas procurando dólar 
E subjugação aos
Imperialistas. 
Mas os céus 
Não obscurecem 
O traslado do rei 
Pois a Jerusalém dos ímpios 
Que ceifa as almas 
Das crianças 
Será subjugada 
No momento certo. 
Que entre logo 
O rei dos judeus 
Pois a alma dos 
Verdadeiros pobres 
O aclama em nome 
Da justiça verdadeira. 
Entre, Messias!
Mas o verdadeiro, o filho do grande rei.

terça-feira, 14 de janeiro de 2025

SE É ALUNO, TEM QUE ESCREVER


Por Mirinaldo

Já imaginou o médico não saber consultar? Ou um pescador não saber usar o anzol? Pois assim é o aluno que não escreve. Um dos grandes motivos que levaram os candidatos a terem um resultado tão preocupante na redação no Enem 2024 é o fato de os alunos só produzirem redação no ensino médio, ou seja, muito tardiamente. E é verdade. Muitos professores não cobram produção textual em sala de aula. Muitos mesmo. Alguns, quando solicitam textos, fazem-no valendo poucos pontos e se prendem a correções superficiais priorizando alguns aspectos em detrimento de outros. 
Aluno está alfabetizado, então tem que escrever! Ou se alfabetiza para quê?
Vamos direto aos pontos sobre a escrita:
1. Todos os alunos, desde a alfabetização, devem escrever textos de gêneros diversos.
2. Todo professor deve cobrar produção textual em seu componente curricular.
3. Todos os professores de Língua Portuguesa devem cobrar a produção escrita em cada bimestre, ou seja, no mínimo quatro produções por ano.
4. A redação deve valer, no mínimo, cinco pontos (ao menos para os professores de LP).
5. Todo professor deve corrigir a escrita do seu aluno.
6. Todo professor deve ensinar e cobrar um gênero textual capaz de avaliar o aprendizado do seu aluno – por exemplo, a elaboração de respostas, o resumo, a dissertação expositiva, fichamento.
7. As primeiras produções, logo no início da alfabetização, podem ser feitas com lápis, mas depois devem ser escritas de caneta.
8. Vitória do Xingu dispõe de programa próprio, o Plano Municipal de Ensino, portanto, deve ser seguido.
9. Vitória do Xingu dispõe de critérios de correção e de pontuação unificados de redação, portanto, deve ser usado como parâmetro nas correções. 
Por fim, devemos mentalizar: uma das mais importantes marcas do aluno é a sua produção textual. 

Excelente aluno, excelentes textos!