sexta-feira, 19 de setembro de 2025

QUAL LETRA USAR NO COMEÇO DA ALFABETIZAÇÃO?



Por Mirinaldo

Se você for pesquisar sobre letras bastões na internet, você verá que elas aparecerão assim: A, B, C, D... Se você for pesquisar sobre as maiúsculas de imprensa, você vai descobrir isto: A, B, C, D... Mas qual a diferença? NENHUMA! A diferença é que as letras de imprensa têm as formas minúsculas (a, b, c, d...) e as bastões, não. Nesse caso, tanto as maiúsculas de imprensa quanto as bastões são chamadas de LETRAS DE FORMA, pois são aquelas em que cada letra é escrita de forma isolada e separada das outras, sem ligação entre elas (na forma maiúscula). Agora, veja a diferença: (a) ESCOLA, (b) Escola. A palavra (a) foi escrita em imprensa maiúscula ou em bastão? Resposta: Em bastão ou imprensa maiúscula, ou caixa alta. Mas por que o nome bastão? O nome "letra bastão" (termo mais popular) vem da sua característica de ser formada por traços retos e uniformes, como um bastão, sem ligação entre as letras e sem curvas. É também conhecida como "letra de forma" ou "caixa alta" (por conta da máquina de imprensa lá dos tempos de Gutemberg). Daí, apenas quando a de imprensa é maiúscula, também recebe o nome de bastão.
QUAL UTILIZAR NO INÍCIO DA ALFAEBTIZAÇÃO?
A bastão. Por quê? 
1. Simples e clara: As letras maiúsculas são mais uniformes em sua forma, com menos curvas e variações, o que facilita a memorização. As crianças podem aprender a reconhecer as letras de maneira mais rápida.
2. Facilidade de leitura: As letras maiúsculas são mais diretas, com traços mais retos e sem a necessidade de curvas complexas, como nas minúsculas. Isso torna a leitura inicial mais fácil.
3. Desenvolvimento motor: Escrever em bastão exige movimentos mais simples, o que facilita o desenvolvimento motor das crianças, especialmente quando estão começando a aprender a escrever.
4. Concentração no som das letras: Quando a criança começa a escrever e a ler, a ideia é que ela se concentre mais no som das letras do que na forma complexa delas. A letra bastão permite esse foco.
Mas lembrando: A criança aprendeu a escrever e precisa seguir nas práticas de fluência, passa-se para as cursivas. As de imprensa lhe são ensinadas para as habilidades de leitura, não de escrita.
Então, enquanto se alfabetiza, o bastão basta!

ENSINAR O ALFABETO OU AS LETRAS DO ALFABETO? QUAL A DIFERENÇA?


Por Mirinaldo

Em tese, os dois devem ser ensinados. Mas didaticamente, não. Ensinar o alfabeto é ensinar ao aluno uma sequenciação de 26 letras em que ele passa a conhecer qual vem antes e qual vem depois, qual é a primeira e qual é a última e pode até chegar a saber quais delas são vogais e quais são consoantes (embora muitos alfabetizadores não consigam fazer essa diferença). O aluno também aprende com o alfabeto que se pode ordenar uma lista por exemplo. 
Mas, e o que é ensinar as letras?
Para alfabetizar, o aluno precisa dominar as letras do português. É aí que entra o papel do conhecimento delas, das suas diferenças, das semelhanças, da sua diferenciação com relação à fala, dos fonemas de cada uma etc. Há escolas que podem preferir começar a alfabetização pelas vogais, pois as vogais são fonemas livres, e depois começam a introduzir as consoantes (fonemas com obstrução na sua realização fonética). Ensinar as letras não é só ensinar os nomes delas, mas o seu uso e efeito a partir da fala e de como ela é registrada na escrita. Ensinar as letras é agrupá-las por grau de dificuldade – conforme Emília Ferreiro (primeiro as de fonemas mais simples, como m, s, p, t, n, b, f, c, r, até chegar às que podem apresentar mais dificuldades, como j, x, ch, lh, nh). Viu que eu falei FONEMAS? Pois é, porque se fosse só o nome das letras, bastaria uma semana de aula. Mas conhecer os fonemas das letras é o principal critério para que elas sejam agrupadas e ensinadas, por isso não é aula de alfabeto. 
E o alfabeto?
O alfabeto pode ficar lá na parede e ir sendo memorizado todos os dias. Mas as letras precisam de muitas aulas para serem apreendidas. Meses.